Causa de erro de julgamento nº 10
Tendência à Influência da Mera Associação
Deixamos que a mera associação casual — uma imagem agradável, um sucesso passado, o portador de más notícias — distorça o julgamento sobre coisas que não têm relação alguma.
A mente é uma incansável reconhecedora de padrões, e tirará conclusões de associações que não têm nenhuma base causal real. Os anunciantes exploram isso constantemente: um refrigerante é mostrado ao lado de pessoas atraentes e felizes em uma praia, e a boa sensação da imagem se prende discretamente ao produto, ainda que o produto nada tenha a ver com aquela felicidade. Nós “aprendemos” a gostar da lata pela companhia que ela mantém.
Uma versão mais sutil e mais perigosa é a associação com o sucesso passado. Um empresário que enriqueceu em um empreendimento conclui que seus métodos são universalmente acertados e os aplica, com total confiança, em uma nova área onde não se encaixam — e perde tudo. A vitória anterior fica associada à sua abordagem, de modo que a abordagem parece validada, independentemente de a sorte ou circunstâncias especiais terem de fato produzido a vitória. Munger considerava isso um caminho comum para a ruína dos antes bem-sucedidos.
A tendência também funciona no sentido inverso: punimos o portador de más notícias. Quem entrega verdades indesejadas acaba associado ao desagrado que relata, sendo por isso malquisto e evitado — o que ensina todos ao redor de uma pessoa poderosa a lhe dizer apenas o que ela quer ouvir. Os antídotos de Munger eram avaliar cada decisão por seus próprios méritos, e não por suas associações acidentais, e, como líder, acolher deliberadamente as más notícias para que o mensageiro nunca seja punido pela mensagem.