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Causa de erro de julgamento nº 22

Tendência à Influência Indevida da Autoridade

As pessoas são programadas para seguir líderes e especialistas, às vezes obedecendo à autoridade rumo direto ao desastre, contra o próprio bom senso.

Os seres humanos vivem em hierarquias e foram feitos para ceder à autoridade. Na maior parte do tempo, isso é eficiente — seguir um líder competente é melhor do que cada um raciocinar do zero. Mas essa deferência é em parte automática, e pode anular a própria percepção e o bom senso da pessoa, levando-a a fazer coisas, e a acreditar em coisas, que jamais faria por conta própria.

Os experimentos de Stanley Milgram são a demonstração arrepiante: voluntários comuns aplicaram o que acreditavam serem choques elétricos perigosos, até mesmo letais, em um desconhecido, simplesmente porque um homem de jaleco lhes mandava continuar. Munger associava isso a uma catástrofe real — um desastre aéreo em que o copiloto, cedendo a um comandante que cometia um erro fatal, não o corrigiu com firmeza suficiente, e todos morreram. O copiloto conseguia ver o problema; a força da autoridade o impediu de agir diante dele.

O perigo se agrava quando a autoridade está errada, é mal compreendida ou apenas aparente — um “especialista” confiante fora de sua real competência, ou uma ordem mal interpretada por subordinados que presumem que o chefe deve saber o que é melhor. As defesas de Munger eram avaliar a substância do que a autoridade lhe diz, em vez de ceder ao cargo; ser especialmente cauteloso quando a ordem de uma autoridade conflita com seu próprio juízo claro; e, como líder, convidar ativamente os subordinados a contestar, já que uma cultura de obediência sem questionamento acaba por jogar o avião no chão.