Modelo mental
Inversão
Resolva problemas difíceis de trás para frente — em vez de perguntar como ter sucesso, pergunte como você fracassaria e então evite isso.
“Inverta, sempre inverta.”— Charlie Munger
Munger tomou emprestado o “Inverta, sempre inverta” do matemático do século XIX Carl Jacobi, que descobriu que muitos problemas difíceis da matemática eram mais bem atacados ao contrário. Munger o transformou numa ferramenta geral de pensamento. Quando uma questão resiste a um ataque direto — como faço para ter sucesso, como me torno feliz, como construo uma grande empresa — vire-a do avesso: como eu garantiria o fracasso, a infelicidade ou a ruína? Depois, certifique-se de evitar essas coisas.
O poder dessa abordagem está em que os modos de falha costumam ser muito mais fáceis de identificar do que a receita do sucesso, e evitá-los já te leva a maior parte do caminho. A célebre frase de Munger, “Tudo o que quero saber é onde vou morrer, para nunca ir lá”, é a inversão aplicada à vida — você pode não saber como ser brilhante, mas pode compilar uma lista de maneiras infalíveis de se arruinar (inveja, ressentimento, desonestidade, dívidas, embriaguez, falta de confiabilidade) e simplesmente não fazê-las. Ele deu um famoso discurso de formatura inteiramente construído sobre prescrições para garantir uma vida miserável, justamente para que a plateia pudesse invertê-las.
Na prática, a inversão é uma lista de verificação para evitar desastres. Antes de se comprometer com um plano, pergunte o que teria de dar errado para que isso virasse uma catástrofe e então projete a eliminação dessas falhas. Um engenheiro pergunta não apenas como fazer uma ponte se manter de pé, mas todas as formas pelas quais ela poderia desabar. Um investidor pergunta não apenas como ficar rico, mas como as pessoas nessa situação costumam quebrar. Munger achava que evitar a estupidez era ao mesmo tempo mais fácil e mais confiável do que buscar o brilhantismo, e a inversão é o principal instrumento para isso.